sexta-feira, dezembro 23

Pelas costas


Com um nó na garganta eu prendo meu choro
O seu nó na gravata eu já não dou mais
De tristeza, retorce meu estômago
Por que você torce contra mim?

Me meti de cabeça nessa, rapaz
E com os pés nas costas, pelas costas
Você fala mal de mim

Meu olho arregalado
Ainda molhado,
custo a acreditar
Seu jeito de ser errado
Fácil me deixava de lado
Você nunca me soube amar.

terça-feira, setembro 20

Y va brotando...

Nunca pensei que voltar a escrever fosse ser tão complicado. Parece que depois de morar em outro país perdi a intimidade com minha língua materna e também não sou assim tão chegada do español pra me atrever a brincar com ele.
Estar fora, num país cheio de cores, cultura, diferenças e semelhanças é algo tão indescritível que me dá trabalho liberar esse montão de sentimentos que passam, ficam, voltam e se apresentam com outras formas a cada momento.
Depois de 2 anos agora sinto a necessidade de botar pra fora tudo isso..do jeito que vier, ruim ou bom, com técnica ou com intuição. Agora sim é o recomeço e hora de deixar a raiz crescer, chega de resistência.
É como quando a resistência do chuveiro queima e você tem que tomar banho na água fria, vai molhando as mãos, os braços, cada parte devagar para ir se acostumando e não sentir o baque de uma só vez (pelo menos é assim que faço). Talvez isso me permito pedir, um tempo, pouco a pouco, com cuidado, pisando em ovos até perder o medo e que voem as borboletas! haha.

Y va brotanto, brotando,
como el musguito en la piedra
ai si si si.

sábado, setembro 17


Meus músculos estão atrofiados
de tanto exercitar a mente
ando desconfiada
de que você me trai ultimamente

Já te dei o ultimato
Quero que você suma da minha frente
Enfrentar isso não é fácil
Explique-me o fato claramente

Sair de casa eu não saio
Pegue as trouxas e seu balaio
Vá pra bem longe, lá pra casa do
Sampaio.

quinta-feira, outubro 1

Me pega

Me cola

Cola em mim

A sua coca-cola

Gelada

Que com um gole

Esquenta na minha boca

20 pontos na testa.
7 pontos na carteira.
5 pontos faltantes no bolso esquerdo da calça.
4 pontos cardeais.
1 ponto no último jogo da mega-sena.
Nao querer discutir a relaçao ponto a ponto: menos 100 pontos com a namorada.
E termina com ela apontando o dedo na cara.
Rosa-choque.
A Rosa choca com suas unhas vermelhas-fogo.
Brega-chique.
O pai de Rosa teve um chilique ao ver as unhas da filha.
Isso porquê ele nao imagina o choque que teve Luis ao ver a calcinha vermelha da namorada.
A tirou na hora. E aproveitou a área livre, pegando fogo.

Gato mia.

Mama mia.

Cosa nostra.

Bode espiatório.

Tá espiando o quê?

Desde que cheguei nao para de olhar.

Vira essa cara pra lá, bode véio.

Veio fazer o que aqui?

E essa barba de bode? Já disse que nao pode nao.


sexta-feira, agosto 28

precisão

to precisando injetar,
você na minha veia
pra sentir melhor aquele fogo que me incendeia.

to precisando inventar,
uma desculpa esfarrapada
pra dar quando chegar tarde em casa.

to precisando dormir,
tirar os sapatos apertados,
limpar a mancha de baton,
disfarçar o cheiro de cigarro.

mas espero chegar mais cedo da proxima vez
e não bater de novo o carro.

to precisando ficar em paz
esquecer tudo o que me disse aquele rapaz
e deixar de pensar nas coisas que ele foi capaz

de fazer

sexta-feira, julho 3

aquela noite

seu suor com o meu
valsa com salsa
meu pé em cima do seu
descalça

pegando carona
dançando ao seu favor
medo com amor

aquela música na ponta da língua
a sua lingua na ponta da minha orelha
receita velha

conversa pra boi dormir
mas sua piada repetida ainda me faz rir

e só mesmo aquele pó de pirlimpimpim
pra fazer a gente dormir.

domingo, maio 17

Seu Migué costumava acordar cedinho
Fumar um cachimbinho
E tomar seu café

Seu José
Lavorava de noite
Sempre com seu acoite
Preso na cintura
Pra quando aparecer quarquer criatura,
Ele poder açoitar

Dona Felisbina
Com muitas rugas no rosto
E alma de menina
Preparava angu, cará e mungunzá
Pro Seu Migué almoçar

Vejam só que mocidade
Encontramos na alma de velhinhos dessa idade

Falam a filosofia da terra
A filosofia da guerra
Da luta de todo santo dia

Rezam a reza dos céus
A reza de Deus
Quem, às vezes, penso que os esqueceu

Mas de dentro dos sulcos de suas rugas
Brotam a fé mais pura

E dos sulcos arados na terra
Brotam a esperança pura
De que um dia - se Deus quiser
Germinará o amor e toda sua doçura

E que esqueçamos toda a loucura
Vivida pelos que não têm rugas na pele
Mas que têm sulcos profundos na alma

desilusão

Amor é como flor
Como couve-flor
Aguado
Pálido
Sem gosto

Ai, que desgosto!

utilidade doméstica

Minha vida sem você, amor
É viver sem o seu calor
É estar sozinha no banheiro
Sem ninguém pra trocar o chuveiro
É estar sem as chaves de casa
E ter que chamar o chaveiro